O CONDROSSARCOMA é um tumor ósseo maligno raro, caracterizado por ser pouco sensível à quimioterapia e à radioterapia tradicionais. Por esse motivo, ao longo das últimas décadas, o tratamento mais eficaz permaneceu sendo a cirurgia, com ressecções amplas para garantir margens livres. Entretanto, uma parcela significativa dos pacientes não pode ser operada, seja pela localização complexa do tumor, pela extensão da doença, ou pela presença de metástases.
Outra parte dos pacientes enfrenta um cenário igualmente desafiador: a recidiva tumoral após uma cirurgia inicial. Até hoje, nesses casos, tínhamos pouquíssimas alternativas sistêmicas comprovadamente eficazes.
🟩 O que há de novo? O Ozekibart (INBRX-109)
Recentemente, foram apresentados os resultados do estudo clínico internacional ChonDRAgon, o maior estudo randomizado já conduzido em pacientes com Condrossarcoma convencional avançado. Neste estudo, avaliou-se o medicamento Ozekibart, um anticorpo agonista tetravalente do receptor DR5, com capacidade de ativar vias de apoptose (morte controlada das células tumorais).
Os dados do estudo mostraram que o Ozekibart:
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reduziu em 52% o risco de progressão da doença ou morte;
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duplicou o tempo mediano sem progressão (5,5 meses com Ozekibart vs 2,7 meses com placebo);
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demonstrou benefício consistente em praticamente todos os subgrupos de pacientes (incluindo tumores grau 2 e grau 3, mutação IDH, pacientes mais jovens e idosos);
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apresentou perfil de segurança manejável, com efeitos adversos na maior parte de grau leve ou moderado.
Esses resultados são relevantes não apenas do ponto de vista estatístico, mas também clínico, considerando a inexistência, até então, de terapias sistêmicas eficazes para esse tipo de tumor.
🟩 Por que isso importa para o paciente?
O lançamento de uma medicação com benefício comprovado no Condrossarcoma representa um marco muito importante. Pela primeira vez, temos uma terapia alvo específica, com mecanismo de ação inovador, que demonstrou melhora real no controle da doença.
Isso significa:
Uma nova opção terapêutica para pacientes que não podem ser operados, que apresentaram recidiva após uma cirurgia ou que desenvolveram metástases.
Embora não represente cura, o Ozekibart pode prolongar a estabilidade da doença, retardar seu crescimento e, em muitos casos, melhorar a qualidade de vida.
Um avanço histórico
O condrossarcoma sempre foi considerado um dos tumores ósseos mais difíceis de tratar no cenário metastático. A demonstração de eficácia de uma droga direcionada abre portas para uma nova era de estudos e terapias potencialmente ainda melhores no futuro.
🟩 Em minha opinião
À luz dos dados do estudo ChonDRAgon, considero o Ozekibart uma nova e importante opção terapêutica para pacientes com condrossarcoma convencional avançado. Seu mecanismo de ação inovador, aliado ao benefício clínico comprovado e ao perfil de segurança favorável, representa uma esperança concreta para indivíduos que até então contavam com recursos terapêuticos extremamente limitados.
Para pacientes que não apresentam indicação cirúrgica, bem como para aqueles que apresentaram recidiva, essa medicação representa um passo significativo no avanço do tratamento do condrossarcoma e deve ser considerada no contexto de acompanhamento especializado.
Continuarei acompanhando de perto a evolução dos estudos e a incorporação dessa terapia na prática clínica.
Fonte: 30th CTOS – 2025 ANNUAL MEETING (Connective Tissue Oncology Society) – Boca Raton, FLORIDA – USA.
